SOLTA A MANDINGA – Janeiro de 2013

Terceira edição, Janeiro 2013:

PICOLÉ

Ieri sera non riuscivo a dormire.
Ripensavo alla nostra rivista… che è come un cassetto, o una scatola delle scarpe, dove metti i ricordi di un viaggio, il diario di un periodo, i nuovi propositi, fogli su fogli pieni di bozze, frasi da riordinare..
dove ci metti i sogni, i disegni, catturi i pensieri e le parole più belle..
gli anni indimenticabili…
Ripensavo alla rivista, che è come un pezzetto di terra da coltivare.
Così ripercorrevo la mia capoeira, dall’inizio…
l’inizio, com’è lontano!
E i miei viaggi in Brasile..
cercavo di ricordare cosa, di quel posto, mi avesse così tanto illuminata, oltre la capoeira.
Forse la gente e la loro maniera di vivere e di vedere.
Forse quel loro ritmo contagioso, i colori e la musica.
Forse è tutto un interessante intreccio…
Poi d’un tratto, su di una delle mie canzoni preferite di angola, mi sono ritrovata in un disegno… è comparso d’improvviso davanti ai miei occhi, senza che io facessi nulla…
Un paesaggio fatto degli strumenti della capoeira..
Il sole con il pandeiro, e i raggi con le bacchette…
nuvole di cabaçe, fiori fatti di caxixi..
alte piante di agogo e tronchi di atabaque, e tra le foglie frutti di dobrao.
E poi il mare, con il suo balanço.. la sabbia..
l’alta e la bassa marea, puxada de rede..
E yemanjà, giuliana, lera, analia..
maculelè, zumbì, i santi e i capoeristi.. e tutti i personaggi che conosciamo, uno ad uno impegnati nella loro canzone quotidiana…
Una roda di mestri in bianco e nero che non finisce mai..
quei mestri che hanno fatto la storia..
E barchette a vela libere fra le onde, costruite con robusti berimbaus.
Su di una il nostro mestre, che osserva silenzioso da lontano..
le mani giunte dietro la schiena, il suo sguardo attento dietro gli occhiali, i capelli raccolti nel suo codino.. il viso disteso, e un leggero sorriso..
Il vento fatto di scritte di canzoni che si stringono in spirali..
Così, sdraiata sulla mezza luna di madeira, mi addormento con la penna nella mano..
Era bello quel posto.. ero stata a maracangalha…

Ontem não conseguia dormir.
Repensava na nossa revista …….. Que é uma gaveta ou uma caixa de sapatos, onde se guarda recordações de uma viagem, o diário de um período, novas resoluções, folhas sobre folhas cheias de rascunhos, frases por reorganizar…
Onde se coloca sonhos, desenhos, se captura pensamentos e as palavras mais belas…
Os anos inesquecíveis…
Repensava na revista, que é como um pedaço de terra por cultivar.
Assim percorria a minha capoeira desde o início..
O início, como é longínquo!
E as minhas viagens ao Brasil..
Tentando me recordar de coisas, daquele lugar, que me iluminava assim tanto, não só a Capoeira.
Talvez as pessoas e suas maneiras de viver e de ver.
Talvez o seu ritmo contagioso, as cores e as músicas.
Talvez seja tudo uma trama interessante…
Então, de repente, em uma das minhas músicas preferidas de angola, me encontrei em um desenho….. apareceu subitamente na frente de meus olhos, sem que eu fizesse nada…
Uma paisagem feita dos instrumentos da capoeira..
O Sol como o pandeiro e os raios como as baquetas.
Nuvens de cabaças, flores feitas de caxixis..
Plantas altas de agogo, troncos de atabaques e entre folhas, frutas de dobrão..
E depois o mar, com o seu balanço… a areia…
As marés alta e baixa, puxada de rede..
E Yemanja, Juliana, Lera, Anália..
Maculele, Zumbi, os santos e os capoeiristas.. e todos os personagens que conhecemos, um a um empenhados nas suas canções quotidianas….
Uma roda de mestres a preto e branco e que não termina nunca..
Aqueles mestres que fizeram história..
Os barcos à vela livres nas ondas, construídos com berimbaus robustos…
Sobre um deles, o nosso mestre, que silenciosamente, ao longe, observa.
As mãos juntas atrás da coluna, o seu olhar atento, por trás dos óculos, os cabelos amarrados.. o rosto esticado e um ligeiro sorriso..
O vento feito de letras de canções que se balançam em espiral..
Assim, deitada sobre a meia lua de madeira, adormeço com a caneta nas mãos..
Era belo aquele lugar… estava em Maracangalha..

Yesterday I wasn’t able to sleep.
Rethinking on our magazine.. that is like a drawer, or a shoebox, where one puts his memories of a trip, his diary of a period, new resolutions, sheet after sheet full of sketches, phrases to reorder..
Where one puts the dreams, the drawings, captures the thoughts and the most beautiful words..
The unforgettable years..
Rethinking on our magazine, that is like a piece of land to cultivate..
And so rebrowsing through my Capoeira, from the beginning..
The beginning, how faraway..
And my trips to Brazil..
Trying to remember things from that place, that illuminated me so much, not only Capoeira..
Maybe the people and their way of living and of seeing..
Maybe their contagious rhythm, the colors and the music..
Maybe it’s all an interesting plot..
Then, out of a sudden, over one of my favorite angola songs, I found myself in a drawing.. it came out of nowhere in front of my eyes, without me doing anything..
A landscape made out of Capoeira instruments..
The sun as the pandeiro, and its rays as the drumsticks..
Clouds of cabaças, flowers made out of caxixis..
Tall plants of agogo and tree trunks of atabaque and in-between the leaves, fruits of dobrão..
And then the sea, with its swing.. the sand ..
The high and low tide, Puxada de rede ..
And Yemanja, Juliana, Lera, Anália ..
Maculelé, Zumbi, the saints and the capoeristas .. and all the characters we know, one by one engaged in their daily song …
A roda of masters in black and white that never ends ..
Those masters that made history ..
And sailboats free through the waves, built with robust berimbaus…
On one of them our master, looking silently from faraway..
His hands clasped behind his back, his watchful eyes behind his glasses, his hair in his tail.. his face relaxed, and a slight smile ..
The wind made out of lyrics of songs that shake in spirals ..
So, lying on the half moon of wood, I fall asleep with the pen in my hand..
It was nice that place .. I had been in Maracangalha …

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Esta entrada foi publicada em 3ª EDIÇÃO, JAN 2013. ligação permanente.

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