SOLTA A MANDINGA – A Capoeira e eu

Quarta edição, Fevereiro 2013:

Naranchio Maurizio

maurizio1-001 Leblon è un quartiere della zona sul di Rio de Janeiro, scoprii poi che era un quartiere della borghesia “bene”. Un susseguirsi di palazzoni abbastanza anonimi affacciati sulla chilometrica spiaggia che da un lato termina contro il Morro dos Irmaos e dall’altro continua a Ipanema e dopo l’Arpoador con Copacabana.
Era inverno là, pioveva spesso, e mi ricordo le parole della padrona di casa “Rio nao combina com a chuva” il buio si impossessava della città molto presto, l’atmosfera era un po’ triste in questo quartiere che certo per vivacità non può essere paragonato alle zone più popolari e vive di Rio… ma tanté… non me lo ero scelto io.
Mi spostavo con i “combi” per cercare un po’ di vita carioca.
Ricordo con piacere un festival del cinema serale sulla spiaggia con distribuzione gratuita di mate e di biscoitos di polvo, è lì che ho visto “Diários de motocicleta”, “Morango e chocolate”, “O ano em que meus pais foram de férias” e il bellissimo documentario su Vinicius de Moraes. Ricordo la buonissima picanha do Gula Gula, il caldo di cana, il mercato della frutta con tutta quella frutta sconosciuta e il mercato del pesce dove regolarmente mi facevo sfilettare la “corvina”.
maurizio2-001Il palazzo in Rua Ataulfo de Paiva confinava da un lato con i Jardim de Allah dove passa il canale di scolo del Lago De Freitas e dove il mattino e la sera i pescatori gettano le loro reti circolari tentando di prendere i pesci spinti dalle onde dell’Oceano. Di un altro lato confinava con il più triste shopping di Rio, lo Shopping Leblon e su di un altro lato ancora con una “favela illuminata” la posso chiamare adesso… una serie di palazzi popolari che davano un po’ di colore a questo quartiere spento.
La sera rientravo in casa e dalle finestre aperte oltre al buon odore di “alho socado” delle massaie che preparavano il riso, entrava il suono lontano di un berimbau. Quel suono mi colpiva e dava un senso di tradizione che contrastava col luogo. Mi ci volle un po’ di tempo per capire da dove proveniva, poi capii che proveniva dal campetto in erba sintetica delimitato dalle pareti altissime dei condomini. La sera alle 19 due volte a settimana veniva un istruttore di capoeira al campetto e i ragazzini che lì abitavano seguivano il corso. L’istruttore era un uomo alto e rasato con un fisico muscoloso che faceva contrasto con i fisici minuti di alcune bambine. Quello che mi piacque e che mi piace ancora oggi fu il senso estetico del gioco, l’intreccio dei corpi così diversi, la libertà dei movimenti e come il tutto si armonizzava col suono tradizionale della musica. Mi colpirono questi contrasti. Il luogo e il suono del berimbau; il maestro e gli allievi… e come tutto stava bene in questa che chiamerei una “disarmonia”. Dopo la prima volta, tutte le sere del corso scesi a vedere la lezione.
maurizio3-001Posso dire che fu qui che la capoeira entrò dentro di me; in questo campetto in erba sintetica consunta, ingrigito dallo smog e delimitato dai muri di alti palazzi. Era il 2006, tornai diverse volte in Brasile, non so perché solo 6 anni dopo mi sono avvicinato a questa arte, forse la capoeira aveva deciso che dovessi incontrare “questo” Mestre, “questi” istruttori, “queste” belle persone appassionate che mi stanno aiutando a imparare.
Grazie a tutti.
Leblon é um bairro da zona sul do Rio de Janeiro, só mais tarde descobri que era uma zona de “burguesia rica”. Uma sequência de apartamentos anônimos, olhando a praia quilométrica, que de um lado acaba contra o Morro dos Irmãos e de outro continua com Ipanema e depois Arpoador, Copacabana.
Era inverno, chovia muito e me lembro esta palavras da dona da casa “Rio não combina com chuva”. A escuridão possuía a cidade muito cedo, a atmosfera era um pouco triste neste bairro, que certamente não se pode comparar com a vivacidade das áreas mais populares e agitadas do Rio.. mas… não fui eu quem escolheu….
Eu andava nas combi buscando um pouco de vida carioca.
Eu me lembro com prazer de um festival de cinema noturno na praia, com distribuição gratuita de mate e de biscoitos de polvo, lá vi “Diários de motocicleta”, “Morango e chocolate”, “O ano em que meus pais foram de férias” e um documentário muito belo sobre Vinicius de Morais. Eu me lembro da picanha deliciosa do Gula Gula, do caldo de cana, dos mercados de fruta com toda aquela fruta desconhecida e do mercado de peixe, onde eu pedia o fillet “corvina”.
O condomínio na Rua Ataulfo de Paivo era delimitado por um lado pelo Jardim de Allah, por onde a drenagem do Lago de Freitas passa e onde de manhã e ao fim de tarde pescadores lançam suas redes redondas tentando apanhar o peixe empurrado pelas ondas do oceano. No outro lado, é limitado pelo shopping center mais triste do Rio, “Shopping Leblon”, e por outro lado ainda pela “favela iluminada”, como a posso chamar agora… uma série de projetos de construção de casas dando um pouco de cor àquele bairro desligado.
No final da tarde, quando voltava a casa, pelas janelas abertas, além do cheiro bom a “alho socado” das donas de casa preparando o arroz, entrava um som distante de berimbau. Aquele som me impressionou e me deu um sentido de tradição, contrastante com aquele lugar. Precisei de algum tempo até perceber de onde vinha, mas finalmente compreendi que saía do play, feito de relva sintética e rodeado de paredes altíssimas dos apartamentos. Às 19h00, duas vezes por semana, um instrutor de Capoeira vinha ali ao campo e as crianças que moravam por ali seguiam a aula. O instrutor era alto, cabelo raspado e musculado, contrastando com a aparência física de algumas menininhas. Aquilo de que eu gostei na altura, e ainda gosto agora, foi a estética do jogo, o entrelaçar de corpos tão diferentes, a liberdade de movimentos e como tudo aquilo se harmonizava com o som tradicional da música. Fiquei impressionado por esses contrastes. O lugar, o som do berimbau e o professor e os alunos.. e como tudo ia bem junto naquilo que chamaria de “desarmonia”. Depois da primeira vez, todas as noites de aula eu desci para assistir ao treino.
Posso dizer que foi ali que a Capoeira entrou em mim, naquele campo de relva sintética, usado, acinzentado com a poluição e rodeado por paredes de edifícios altos. Estávamos em 2006, voltei várias vezes no Brasil, mas não sei exatamente porquê só 6 anos mais tarde me aproximei dessa arte, talvez a Capoeira tenha decidido que eu deveria conhecer “esse” Mestre, “esses” instrutores, “essa” gente bonita e apaixonada que me está ajudando a aprender.
Obrigado a todos.
Leblon is a district in Rio de Janeiro’s southern area, only later on did I find out that it was a “wealthy people” district. A series of anonymous residential buildings, overlooking the kilometric beach which ends on one side against the Morro dos Irmãos and on the other side goes on with Ipanema and then Arpoador, Copacabana.
It was winter, it was often raining, and I remember these words from the house lady “Rio não combina com a chuva“. The darkness was taking possession of the city very early in the day, the atmosphere was a little bit sad in this neighbourhood, which certainly could not be compared to the liveliness of the most popular and live areas in Rio… but … it was not me choosing it.
I moved around with the “combi” searching for a little bit of carioca life.
I remember with pleasure an evening film festival on the beach with free distribution of mate (tea) and Biscoitos de polvo (octopus biscuits), and that there I saw “Diários de motocicleta”, “Morango e chocolate”, “O ano em que meus pais foram de férias” and a very beautiful documentary about Vinicius de Moraes. I remember the delicious picanha from Gula Gula, the caldo de cana, the fruit market with all that unknown fruit and the fish market where I regularly had the fillet “corvina”.
The building in Rua Ataulfo de Paiva bordered on one side with Jardim de Allah where the drain of Lago de Freitas passes and where in the mornings and evenings fishermen cast their round nets trying to catch fish pushed by the Ocean waves. On other side, it is bordered by the saddest shopping centre of Rio “Shopping Leblon” and on another side by an “enlightened favela” how I may call it now … a series of housing project buildings giving a little bit of colour to this off neighbourhood.
In the evening, when I entered back home, by the open windows, beyond the good smell of “alho socado” from which the housewives were preparing rice, a distant sound of berimbau was coming in. That sound struck me and it gave me a sense of tradition, contrasting with the place. It took me a while to figure out where did it come from, but finally I realized that it was coming from a small playground, made in synthetic grass and surrounded by high apartment building walls. At 7 pm, twice a week, a capoeira instructor went to this courtyard and the kids living there followed the course. The instructor was a tall, shaven and muscled man that was contrasting with the physical appearance of some tiny girls. What I liked at the time, and still like today, was the aesthetic sense of the game, the tangle of such different bodies, the freedom of movement and how all this was balanced together with the traditional sound of the music. I was struck by these contrasts. The place and the sound of the berimbau and the teacher and the students … and how everything was going well in what I would call a “disharmony”. After the first time, every night of the course I went down to watch the lesson.
I can say that it was there that Capoeira entered me, in that synthetic grass and worn out courtyard, greyed with smog and bounded by the walls of tall buildings. We were in 2006, I returned several times to Brazil, but I really do not know why only 6 years later did I approach this art, perhaps Capoeira decided that I had to meet “this” Mestre, “these” instructors, “these” beautiful and passionate people who are helping me learning.
Thank you all.

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Esta entrada foi publicada em 4ª EDIÇÃO, FEV 2013. ligação permanente.

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