NAQUELE TEMPO

Espaço para histórias e documentos do tempo da escravidão, do tempo em que a capoeira nasceu e se desenvolveu. Textos em português, italiano e inglês!

Nona Edição, Janeiro 2014:

Dia da Consciência Negra (1 de 2)


Texto de Saracura

Navio negreiro – Castro Alves
“Ontem plena liberdade, / A vontade por poder…/Hoje… cúmulo de maldade,/Nem são livres p’ra morrer”.

“E’ istituita la Giornata nazionale di Zumbi e della coscienza negra, da commemorarsi annualmente nel giorno 20 di novembre, data della morte del capo negro Zumbi dos Palmares”. È il primo articolo della legge 12.519, firmata nel 2011 dalla presidente del Brasile, Dilma Rousseff. In due brevi articoli, stabilisce formalmente che una giornata sia dedicata alla cultura e alla tradizione dei discendenti degli africani, ma anche alla lotta contro i pregiudizi e il razzismo ancora esistenti. La ricorrenza in realtà esiste sino dalla metà del Novecento, ma solo due anni fa ha ottenuto riconoscimento formale dal governo federale, affiancandosi così alla Giornata della liberazione dalla schiavitù che cade il 13 maggio, giorno in cui la legge sull’abolizione fu firmata nel 1888.

In Brasile, dove vivono 194 milioni di persone, il 52% della popolazione si dichiara negro o mulatto. E del 10% di abitanti più poveri del Paese, lo è il 74%. “Quanti negri ci sono dove lavori? Quanti ne incontri nella coda del ristorante o del cinema che frequenti? Ora chiediti quanti ne conosci che sono collaboratori domestici”, proponeva come spunto di riflessione la ministra della Cultura Marta Suplicy, in un editoriale pubblicato sul quotidiano Folha de São Paulo in cui ha sottolineato l’esigenza di una società più integrata e omogenea, a tutti i livelli sociali. I movimenti che sostengono i diritti degli afrobrasiliani, intanto, riconoscono importanti progressi, tra cui la legge che dopo 13 anni di dibattito ha istituito le quote per negri e indigeni nelle università pubbliche. Ma denunciano anche che molto deve ancora essere fatto.

“Gli africani per quattro secoli furono portati in Brasile come schiavi, e la loro figura fu sempre mal valutata. Non esisteva coscienza di ciò che davvero erano e portavano con sé, né da parte loro, né dei portoghesi e dei loro discendenti”. Così spiega il clima sociale in cui nacque l’esigenza di affermazione della cultura e della tradizione degli afrobrasiliani la professoressa Vera Lucia de Oliveira, nata nello Stato di San Paolo e da anni residente in Italia. Insegna Letterature portoghese e brasiliana all’Università di Perugia, ha pubblicato diverse opere di poesia e per esse ha ricevuto vari premi in Italia e in Brasile. Nella fazenda lo schiavo non era altro che un bene da sfruttare, senza alcuna possibilità di esprimere se stesso e la propria cultura, che al contrario venivano represse e zittite come qualcosa che non aveva alcun valore e doveva essere cancellata. Era un modo per indebolirli e renderli inoffensivi: chi non ha tradizioni e cultura, chi non ha storia dietro di sé né senso di appartenenza a un gruppo, è indebolito e quindi meno pericoloso. La stessa capoeira nacque così, per il bisogno di esprimersi, di temprare il corpo e tenersi in forma, e per l’esigenza di usarla come arma.

 “É instituído o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares”. Este é o primeiro artigo da lei 12.519, assinada em 2011 pela presidenta Dilma Rousseff. Em dois pequenos artigos estabelece-se formalmente que seja dedicado um dia à cultura e tradição dos afro-descendentes e também à luta contra os preconceitos e racismo ainda existentes. Esta celebração existe desde meados do século XX, mas somente há dois anos teve o reconhecimento formal do governo federal. O dia existe paralelamente ao dia da abolição da escravidão, 13 de Maio, que celebra a assinatura da Princesa Isabel, em 1888, do documento que oficializava o fim da escravidão.

No Brasil habitam 194 milhões de pessoas das quais 52% são negros ou mulatos. E entre os 10% mais pobre deste país, essa percentagem sobe para 74% . “Quantos negros colegas tem no seu escritório? No seu clube? Na escola de seus filhos? Na fila do cinema ou nos restaurantes que você frequenta? Repare, agora, quantos em situação de serviçal”, foi a pergunta que a ministra da Cultura Marta Suplicy fez num artigo da Folha de São Paulo onde pedia uma sociedade mais integrada em todos os níveis sociais. Os movimentos pelos direitos da população negra dizem que progressos têm sido feitos, entre eles a lei, assinada após 13 anos de luta, que institui quotas nas universidades públicas. Mas, dizem também que ainda muito há a fazer.

“Os africanos foram levados para o Brasil como escravos durante quatro séculos e o juizo feito sobre eles foi sempre errado. Não havia consciência de quem eles realmente eram nem daquilo que traziam consigo, nem para os portugueses e seus descendentes, nem para eles mesmos”. A professora Vera Lúcia de Oliveira explica assim o clima social de onde nasce a necessidade de afirmar a cultura e tradição afrobrasileira. Esta professora, nascida no estado de São Paulo, vive há muitos anos em Itália, onde ensina Literaturas portuguesa e brasileira na Univesidade de Perugia, tendo também publicado várias obras de poemas, pelas quais foi premiada no Brasil e em Itália. Na fazenda, explica, o escravo nao era mais do que um bem material, ele não tinha possibilidade de se expressar, nem de expressar a sua própria cultura que, pelo contrário,eram reprimidas e silenciadas como algo sem valor que deveria ser eliminado. Era um modo de enfraquecê-los e torná-los inofensivos: quem não tem tradição nem cultura, quem não tem uma história atrás de si nem sentimento de pertencer a um grupo, é mais fraco e como tal menos perigoso. A própria capoeira nasceu deste jeito, da necessidade de expressão, de expressar uma cultura, um povo, enquanto se fortalecia o corpo e se fazia deste uma arma.

“The national Day of Zumbi and Black awareness is established and is going to be celebrated annually on November 20th, anniversary of the black leader Zumbi dos Palmares’ death”. It’s the first article of the law 12.519, signed in 2011 by the Brazilian president Dilma Rousseff. In two short articles it formally dedicates a day to the culture and traditions of African descendants and to the fight against prejudices and racism. This celebration started in the sixties, but only two years ago did it obtain formal recognition from the federal government. It occurs in parallel to the national day of slavery abolition, celebrated on May 13th (slavery was officially abolished in 1888 by Princesa Isabel).

Brazil has 194 million inhabitants, from which 52% is black or mulatto. And from the 10% poorest, 74% is black or mulatto. “How many blacks do you count at your job? How many in the line for restaurants or cinema? Now, ask yourself how many black people do you know working as house servants?”, declared Culture minister Marta Suplicy in an editorial on newspaper Folha de São Paulo. She underlined the need of a more integrated society, at every level. Movements backing afrobrasilians’ rights admit many progresses have been done, like the law establishing quotas for blacks and indigenous people in public universities. But, they say, a lot is yet to be done.

“African people were deported to America for four centuries and their value was always misjudged. A conscience of African identity did not exist, not for them nor for the Portuguese and their descent”. Vera Lucia de Oliveira explains in such way the need for asserting their culture and tradition. She is a teacher in Portuguese and Brazilian literatures at Perugia’s University, in Italy, and a poet in both Italian and Portuguese languages. She published many books, obtaining several awards in both countries. Born in Brazil, in the State of São Paula, she has been living in Italy for decades. She explains that a slave in a fazenda was not treated as a person who needs to express his cultural heritage, but simply as a property to exploit, they were repressed and silenced like something with no value that should be erased. It was a way to weaken them and make them harmless: who doesn’t have tradition and culture, who doesn’t have a history behind nor a feeling of belonging somewhere is weaker and therefore less dangerous. Capoeira, like many other cultural expressions, was born because of this necessity of expression. The slave needed to express himself and his culture, while toughening his body and using it as his weapon.

 

Próximo mês tem mais!!

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